Técnica & Instrumentos

POR MARCELO TAVARES
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Como evitar 'puffs' no estúdio

Publicado em 18-03-2014

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O artigo a seguir aborda os mais comuns ruídos de microfonação, os puffs e os sibilados, mostrando como evitá-los.

O texto foi escrito por Fábio Henriques, autor do livro "Guia de mixagem", e publicado no site da gravadora católica Canção Nova.

Microfones: os 'puffs' e os sibilados. Como resolver estes problemas?
Ruídos de microfonação - Os mais comuns e como evitá-los

Em todas as situações - em que precisamos utilizar microfones - estamos sujeitos a uma série de problemas que acompanham o processo de captação do som. Eles ocorrem independentemente de se estamos gravando um megashow com produção caríssima ou simplesmente sonorizando o sacerdote durante a celebração da Santa Missa da paróquia.

Os dois problemas mais comuns são os "puffs" e o sibilado.

PUFFS

Os "puffs" são aqueles ruídos muito fortes que ocorrem quando são emitidas consoantes bilabiais, como "p" e "b", e decorrem da presença de deslocamento de ar próximo à cápsula do microfone. Em outras palavras, essas consoantes geram um "vento", que bate na cápsula do microfone, empurrando-a fortemente. A transmissão de som, ao contrário do que possa parecer a princípio, não está associada ao deslocamento de ar, mas apenas o está à sua vibração, e assim, a cápsula do microfone está preparada para perceber ondulações muito tênues do ar, e não deslocamentos fortes. É por isso que o "puff" ocorre. Para evitar este ruído, os próprios microfones já se defendem. Uma das funções daquela gradezinha de metal, que envolve a cápsula, é exatamente diminuir a velocidade do ar que chega até ela, atenuando as interferências ["puffs"]. Isso, porém, não é suficiente, como sabemos, principalmente quando se fala muito próximo ao microfone.

Outro mecanismo de defesa são aquelas espumas que cobrem as cápsulas dos microfones, muito utilizadas em shows. Em estúdio, optamos por outro mecanismo que altere menos o som, que é uma tela de tecido ortofônico muito fino, colocada a certa distância, chamada "pop filter". Ela tem dupla função, pois além de diminuir a velocidade do ar, também ajuda a manter o cantor afastado do microfone. Se mesmo assim ainda ocorrerem ruídos, é necessário equalizar o sinal. Os "puffs" se caracterizam por gerarem sinais de baixa freqüência. Assim, para diminuí-los, basta filtrar o sinal abaixo de 120 a 150Hz usando um passa-altas (ou Low Filter). Em situações ao vivo este deve ser o último recurso, principalmente em vozes masculinas, pois essa filtragem altera sensivelmente o timbre da voz. Em estúdio, depois do sinal gravado, aplicamos esse filtro somente nas sílabas em que ocorreram tais problemas.

SIBILADO

O sibilado é devido à elevada sensibilidade que a maioria dos microfones apresenta na região de 8 a 10kHz. Isso faz com que ele se apresente na saída um sinal muito forte quando o fonema "S" é emitido. Em muitos casos a intensidade de um "S" chega a ser maior que a de uma vogal! Isso provoca uma sensação auditiva muito desagradável e precisa ser evitado. O fator regional, por incrível que pareça, também afeta a sibilância, pois existem sotaques brasileiros com forte presença de altas freqüências nos "S", como em Minas Gerais. Ao sonorizar uma Santa Missa mineira na hora do "/S/anto /S/anto /S/anto /S/enhor Deu/S/ do Univer/S/o" é sempre um problema. A solução pode ser física, girando-se o microfone um pouco, de forma a evitar que o deslocamento de ar atinja a cápsula diretamente, ou técnica, via o uso de um De-esser. Esse dispositivo é um compressor seletivo que atua sempre que ocorrem as altas freqüências. O de-esser aparece tanto na forma de plug-ins quanto em equipamentos físicos e é bem simples de usar. Basta ajustar a intensidade de atuação e eventualmente sintonizar a região específica de freqüências a serem atenuadas. Especial cuidado deve ser tomado para não se exagerar no seu uso, pois há uma tendência de se transformar o som dos "s" em "f" ou mais especificamente nos "th" surdos do Inglês.

Marcelo Tavares é músico, arranjador e produtor

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