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Governo intervém e nega saída de Ana de Hollanda do Ministério da Cultura

Publicado em 16-05-2011

Texto: Marcos Bin

Tags: política e cultura  

Ana de Hollanda em visita à Capela São Miguel Arcanjo (SP) - Foto: Marcio Fernandes/AE

O governo federal está se mobilizando para fortalecer Ana de Hollanda à frente do Ministério da Cultura (MinC), depois que uma série de escândalos e polêmicas colocaram em xeque a permanência dela no cargo. Primeiro, nomeou a secretária nacional de Cultura do PT, Morgana Eneile, assessora especial da ministra, com a missão de ajudá-la a debelar a crise e construir uma agenda positiva. De acordo com o Blog do Noblat, do jornal O Globo, o partido “escalou uma ‘interventora’ para o órgão com o objetivo de represar a disputa política e evitar que a situação chegue ao ponto em que a presidente Dilma Rousseff se veja obrigada a demitir a ministra”.

Já no dia 11 de maio, num encontro com toda a cúpula do MinC, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, pediu, em nome da presidente Dilma Rousseff, que a pasta demonstre unidade e coesão em torno da ministra. “Quando bate uma crise dessa, se a equipe não se junta, gera insegurança”, disse Carvalho, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo.

O secretário-geral garantiu à reportagem que Ana de Hollanda está mantida no cargo. “O governo está fechado com a ministra. Não há hipótese de substituição”, afirmou.

No encontro, também ficou definido que haverá um discurso único de que o governo está aberto a discutir o  projeto de mudança na lei dos direitos autorais, uma das primeiras polêmicas de Ana de Hollanda desde que assumiu o Ministério da Cultura, em janeiro. “A ministra já tem aberto o diálogo”, sinalizou Carvalho.

Ao Estadão, o secretário-geral afirmou ainda que há uma “orquestração sórdida” contra Ana de Hollanda, que está mergulhada numa crise envolvendo diárias recebidas em dias de folga, conforme noticiou o próprio jornal. No dia 7 de maio, o Estadão revelou que a ministra costuma marcar compromissos oficiais fora de Brasília, principalmente no Rio, onde tem imóvel próprio, às sextas e segundas-feiras, e recebe a ajuda financeira não só pelos dias de trabalho fora da capital federal, como também pelos sábados e domingos de folga. Em quatro meses, Ana recebeu cerca de R$ 35,5 mil por 65 diárias. A pedido da Controladoria-Geral da União (CGU), a ministra devolverá as diárias dos dias 9 e 16 de janeiro, 10, 16 e 17 de abril.

Irmã de Miúcha e Chico Buarque, que é historicamente ligado ao PT, Ana de Hollanda também se viu envolvida, recentemente, em uma polêmica familiar. Sua sobrinha, Bebel Gilberto (filha de Miúcha com João Gilberto), que vive um Nova York, recebeu autorização da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, do MinC, para captar R$ 1,9 milhão, pela Lei Rouanet, para sua primeira turnê no Brasil.

Em março, o MinC já havia sido criticado pela imprensa e por grande parte da classe artística por autorizar a cantora Maria Bethânia, um “medalhão” da MPB, a captar R$ 1,3 milhão de patrocínio para a criação de um blog de poesias. O assunto foi um dos mais comentados no Twitter, na época, e um internauta, como forma de protesto, chegou a criar o Blog da Bethânia – um milhão de motivos pra você acessar.

Antes ainda, no início de sua gestão, Ana de Hollanda fora questionada por eliminar do site do ministério o selo “Creative Commons”, licença para uso livre de conteúdo na internet.

Ministra esconde o rosto ao sair de um encontro com artistas em São Paulo - Foto: Eliária Andrade/O Globo
O trabalho da ministra foi alvo de ataques em um encontro dela com artistas na Assembleia Legislativa de São Paulo, no dia 10 de maio. Foram criticados o congelamento de verbas para a cultura, a gestão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a atuação do ministério com relação ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). A presidente da Federação das Cooperativas de Música do Rio, Janine Durand, leu um manifesto endereçado à presidente Dilma Rousseff com afirmações de que a atual ministra tem uma atuação em oposição ao que foi feito pelo antecessor, Juca Ferreira, no governo Lula.

Ana de Hollanda deixou a Assembleia escoltada por um grupo de policiais militares e não falou com os jornalistas.

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