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Cantor e compositor evangélicos são processados por homofobia

Publicado em 19-05-2010

Texto: Marcos Bin

Tags: mercado gospel  

A cantora cristã americana Jennifer Knapp, que assumiu ser lésbica

Uma notícia publicada no portal Terra, no mês de maio, informa que o pastor da Igreja Cristã Contemporânea Marcos Gladstone, homossexual assumido, entrou com representação no Ministério Público do Rio de Janeiro e na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra o cantor Emanuel de Albertin e o compositor Toinho de Aripibu, acusando-os de preconceito, discriminação e homofobia religiosa. Albertin canta a música “Adão e Ivo”, composta por Aripibu, que, segundo o pastor, “incita claramente o preconceito e a homofobia”.

O Terra lembra que a canção ficou conhecida no início de maio, durante showmício do pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PR-RJ), quando o político se posicionou contra a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A letra do forró diz: “A cada dia multiplica a iniquidade / sinceramente, isso me deixa pensativo / se Deus tivesse feito homem pra casar com outro / não seria Adão e Eva / tinha feito Adão e Ivo”. Uma versão da música foi postada no YouTube, com fotos do casamento de Gladstone com o pastor Fábio Inácio. O clipe tem inscrições contra a Lei da Homofobia e críticas a uma cena de beijo dos pastores.

No entanto, o advogado e manager da EFRATA MUSIC, Elvis Tavares, ressalta que a Lei da Homofobia não foi aprovada. “Portanto, ninguém pode processar outra pessoa com esse argumento, até mesmo porque, segundo o Código Penal, não há crime sem lei anterior que o defina. É o princípio da anterioridade penal”, argumenta Elvis Tavares.

Ainda no mês de maio, o Terra publicou uma notícia semelhante, ao relatar a reação do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus da Penha, diante do projeto de projeto de lei, conhecido como Estatuto das Famílias, que prevê a união homoafetiva. O projeto, que atualmente está em análise pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), pretende reformar o direito familiar no Brasil.

Malafaia participava do debate sobre o tema na Câmara dos Deputados. Segundo o portal, o pastor comparou a união civil entre pessoas do mesmo sexo à zoofilia e à necrofilia, e usou de ironia para alegar que nem toda prática social que deve ser incluída na legislação. “Vamos colocar na lei tudo o que se imaginar. Quem tem relação com cachorro, vamos botar na lei. Eu vou apelar aqui. É um comportamento, ué, vamos aceitar. Quem tem relação com cadáver, é um comportamento, vamos botar na lei", disse ele.

Um mês antes, em abril, foi a vez do jornal O Globo, em sua versão online, publicar uma notícia polêmica envolvendo sexo e religião, ao revelar que Jennifer Knapp, estrela da música cristã americana, estava “saindo do armário”. Lançando um novo CD após uma ausência “misteriosa” de sete anos, a cantora de 36 anos, natural do Texas, anunciou ser lésbica. Mas, com bom humor, ela mostrou estar preparada para uma possível reação negativa por parte dos fãs cristãos, que sempre desmentiram os rumores sobre sua sexualidade. “Ando ganhando muito mais piscadelas de garotas (em seus concertos) do que no passado!”, disse a cantora, em entrevista à agência de notícias Reuters.

A matéria do Globo destaca que, na música cristã, não há registro de outra cantora tão famosa quanto Jennifer que seja abertamente homossexual. A reportagem afirma ainda que, no passado, a indústria musical cristã desaprovava os artistas que se desviavam do padrão. Bons exemplos seriam  Sandi Patty e Michael English, que, nos anos 1990, foram “abandonados” pelas rádios e lojas depois que admitiram ter tido casos extraconjugais (separados).

Outra famosa artista gospel citada pelo jornal carioca é Amy Grant, que também foi parar na “lista negra” quando se divorciou, na mesma década. A matéria afirma que, desde então, todos esses cantores foram perdoados por seus erros, em maior ou menor grau.

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