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A indústria do CD não morreu, está se transformando

Publicado em 10-04-2018

Texto: Época Negócios (25-02-2018)

Tags: mercado fonográfico  

Após alcançar um pico em 2000, as vendas de CDs passaram a cair - Foto: Pexels
Após alcançar um pico em 2000, as vendas de CDs passaram a cair - Foto: Pexels

Há quanto tempo você não usa um CD? Talvez seu computador nem tenha uma entrada para eles. Se em 2000 as vendas de CDs nos Estados Unidos batiam US$ 13,2 bilhões, a receita com esse tipo de mídia caiu a US$ 1,2 bilhão em 2016, de acordo com a Associação Americana da Indústria de Gravação. Recentemente, as pessoas passaram a usar serviços como Spotify e Apple Music, o que talvez tenha sido o golpe final para os fabricantes de CDs.

No início do mês, a gigante do varejo nos EUA Best Buy anunciou que neste ano vai deixar de vender CDs, e a Target só quer pagar aos distribuidores pelos produtos que realmente forem vendidos.

Mas ainda assim, parece que há uma sobrevida para essa indústria, segundo reporta a Fast Company. Na última semana, o site Bandcamp reportou um aumento de 18% nas vendas de CD em 2017, uma aceleração em relação ao incremento de 14% relatado no ano anterior.

Outra empresa, a Atomic Disc, com mais de 13 mil clientes, também não está sofrendo com a queda de vendas. A proprietária, Silver Sorensen, afirma que as receitas estão aumentando 30% ao ano, sendo que a venda de CDs representa cerca de 90% desses ganhos.

Mesmo na era do streaming, o CD ainda tem valor, especialmente para artistas em início de carreira, que querem oferecer algo tangível aos fãs. Isso se aplicaria também aos discos de vinil, porém os CDs ainda são mais fáceis de produzir, mais baratos e lucrativos. “Estamos observando a morte dos CDs há 15 anos”, diz Silver, que espera que essa indústria continue viva nos próximos cinco anos ou mais.

Uma das razões para a resiliência desse negócio é, em parte, tecnológica. Em 1990, fábricas de CDs multimilionárias usavam técnicas sofisticadas para fabricar a mídia. Produzir menos de mil unidades era impraticável, o que deixou muitos músicos independentes fora desse avanço.

Mas as lojas menores, como a Atomic, usam processos diferentes. Em vez de produzir os CDs do zero, compram o CD vazio, fazem a chamada duplicação e criam capas. Assim, é possível produzir cerca de 100 CDs em poucos dias, e o preço por unidade não é muito maior do que produzir mil CDs.

Por causa desse avanço, lançar um álbum em CD é fácil, até mesmo para artistas iniciantes. Em poucas horas, podem entrar no site da loja que os fabrica, enviar faixas de áudio e a imagem para a capa – e os CDs chegam na mesma semana. Algumas bandas inclusive coordenam a chegada de pequenos lotes em cada parada de um tour.

“Em vez de ter que investir milhares de dólares e ficar com caixas e mais caixas de CD estocadas na garagem esperando que eles sejam vendidos, as bandas pedem apenas algumas centenas de unidades de cada vez, e quando elas esgotam, pedem mais”, diz Silver. “E os fãs ainda querem levar alguma coisa para casa, seja uma camiseta ou um CD, e os CDs já chegaram a um preço bastante acessível”.

O problema é que cada vez menos pessoas têm aparelhos para reproduzir CDs em casa ou mesmo no carro. Mas uma pesquisa realizada pela IHS em 2016 mostrou que 75% das pessoas querem ter um CD player no carro, mais do que outras funcionalidades como Bluetooth, reconhecimento de voz e telas touchscreen. Outra pesquisa, da Nielsen, aponta que um terço das músicas ouvidas nos carros são de CDs.

David Bakula, vice-presidente de análises da Nielsen, é cético quanto ao fim dos CDs. O formato ainda responde por 51% das vendas de álbuns, e é especialmente forte em gêneros como infantil, música clássica, jazz e gospel.

Um risco para essa indústria, porém, é que o consumo de CDs se torne uma atividade de nicho, e que a produção da matéria-prima caia tanto a ponto de torná-la cara. Um aumento de preços poderia ser fatal para esse modelo de pequenas produtoras.

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