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Autor de hino contra a ditadura, Geraldo Vandré retorna aos palcos em meio a polêmica

Publicado em 26-03-2018

Texto: Redação Efrata Music

Tags: política e cultura  

Geraldo Vandré em 1968, ano em que participou do III Festival Internacional da Canção - Foto: Divulgação
Geraldo Vandré em 1968, ano em que participou do III Festival Internacional da Canção - Foto: Divulgação

Há 50 anos, o cantor, compositor, poeta e advogado paraibano Geraldo Vandré marcava seu nome na história da Música Popular Brasileira ao defender, no III Festival Internacional da Canção, sua mais importante obra, Pra não dizer que não falei das flores (também conhecida como Caminhando). Embora preferida do público, a música não venceu o certame – ficou em segundo lugar, atrás de Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque –, mas acabou se tornando o hino da resistência contra a ditadura militar. Naquele mesmo ano, Vandré sofreria uma derrota ainda mais dura: após o Ato Institucional nº 5 (AI5), foi exilado e interrompeu a carreira musical.

O silêncio de cinco décadas foi quebrado na última quinta-feira (22), quando o artista, de 82 anos, voltou à sua terra natal para duas apresentações no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa. No entanto, o que deveria ser uma celebração acabou se transformando numa grande polêmica.

Na sexta (23), de acordo com o jornal O Globo, Vandré interrompeu o show, enquanto cantava justamente Pra não dizer que não falei das flores, porque teria se aborrecido com uma faixa de protesto contra o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. O músico ainda teria pedido que os manifestantes se retirassem da frente do palco.

Logo após, segundo o Jornal do Commercio, Vandré e a pianista paulista Beatriz Malnic, com quem dividia o espetáculo, foram para o camarim. Na plateia começaram gritos de “Fora, Temer” e algumas vaias. O constrangimento aumentou quando uma moça perguntou “Marielle?”, e a plateia respondeu “Presente”.

Na internet, o vídeo que mostra Geraldo Vandré e uma manifestante retirando a faixa de frente do palco (assista abaixo) divide opiniões. Para o jornalista paraibano Walter Santos, dono do site WSCom, o cantor “adota a censura e se assume à direita”. Santos acrescenta que “a atitude de Vandré foi reproduzida em meio a gestos repetidos dele de continência à Marinha, que se fez presente nos shows sob reverência do artista, em clara manifestação de vínculo renovado com o segmento das Forças Armadas” [o músico, na verdade, é mais próximo da Força Aérea Brasileira (FAB), homenageada na canção Fabiana, que ele também cantou nos shows em João Pessoa].

Já o professor Carmélio Reynaldo, que estava no Espaço Cultural José Lins do Rego, defende o artista. Em texto publicado no site Os Guedes, Reynaldo conta que as imagens foram feitas no final do show. Segundo ele, Vandré já havia encerrado a apresentação, depois de cantar Pra não dizer que não falei das flores, e o público o ovacionava, de pé, quando alguns músicos retomaram a canção. Nesse momento, entrou o grupo com a faixa e a ergueu na frente do palco, “quase encobrindo o artista, quebrando o clima do final do espetáculo”.

“Total falta de oportunismo do grupo. Não podiam ter escolhido pior momento. Observem que ninguém esboçou qualquer gesto em defesa deles”, diz o professor.

 

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