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Artistas burlam serviços de streaming para obter falsa popularidade

Publicado em 09-11-2017

Texto: Redação Efrata Music

Tags: direitos autorais  streaming  

Em plataformas de streaming como o Spotify, os plays estão ligados diretamente à renda que o artista obtém com a disponibilização de sua obra - Foto: Reprodução
Em plataformas de streaming como o Spotify, os plays estão ligados diretamente à renda que o artista obtém com a disponibilização de sua obra - Foto: Reprodução

Bem-vindo à era do “jabá 2.0”. Nessa nova modalidade de fraude no meio musical, em vez de pagar para ter sua música tocada em rádios, artistas compram um número de execuções em plataformas de streaming, como YouTube e Spotify, ou espaço em playlists populares.

Os serviços são vendidos em vários sites, a maioria de fora do Brasil. Eles normalmente se valem de “robôs”, ou seja, computadores programados, para acessar automaticamente as músicas ou realizar outras interações, como curtidas ou comentários, a fim de aumentar os números do artista-cliente.

Outra forma de adquirir falsa popularidade na internet são as “fazendas de likes”. Normalmente localizadas em locais pobres da Ásia, consistem em painéis com centenas de smartphones ligados o tempo inteiro. Os cliques são gerados por pessoas ou por computadores.

De acordo com o portal G1, um site promete dois milhões de visualizações de um clipe no YouTube por R$ 7,2 mil. Já um usuário popular do Spotify cobra R$ 15 para incluir uma música em sua playlist. Ambas as práticas são proibidas pelas duas gigantes do streaming.

Os plays de um vídeo ou de uma música estão ligados diretamente à renda que o artista obtém com a disponibilização de sua obra nas plataformas de streaming, já que a distribuição do montante relativo aos direitos autorais é feita de acordo com o número de execuções. Além disso, artistas de sucesso na internet têm mais facilidade para fechar patrocínios, participar de festivais e aparecer em outras mídias.

O G1 entrevistou um cantor sertanejo que admitiu ter pago o “jabá 2.0”. Ele (que preferiu não se identificar) explicou que quando lançou um clipe, em 2013, tocar em rádio, por meio do jabá tradicional, não era suficiente. “Você vai a um programa de TV e te apresentam dizendo quantos milhões você tinha no YouTube”, justificou.

O clipe teve 5 milhões de visualizações, mas foi o máximo que o sertanejo conseguiu. Após romper com seus empresários, ele lançou um CD em 2015 e disponibilizou todas as faixas no YouTube. A mais tocada de forma orgânica (sem patrocínio) teve 1,8 mil views. Hoje, o artista não sabe se continuará com a carreira.

O portal também cita o caso de uma pessoa da área de marketing que, no fórum oficial do Spotify, contou estar arrependida da prática. “Gerencio quase 60 contas no Spotify e já tive 6 deletadas [após o serviço de streaming detectar plays ilegítimos]. Não usem”, aconselhou.

Advogados ouvidos pelo G1 afirmam que a prática de inflar artificialmente a contagem de visualizações ou execuções é crime. A fraude pode ser considerada estelionato, por provocar prejuízo a outros músicos ou aos serviços de streaming.

Mas os advogados também consideram difícil investigar a origem dos acessos e comprovar o uso de robôs, especialmente nos sites estrangeiros, porque no Brasil há poucas regras específicas para a área digital.

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