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Spotify é acusado de criar artistas falsos para não pagar direitos autorais

Publicado em 28-08-2017

Texto: Helder Maldonado - R7 (18-07-2017) e Redação Efrata Music

Tags: direitos autorais  streaming  

Alguns artistas com milhões de execuções no Spotify não têm nenhum registro fora da plataforma - Foto: Reprodução
Alguns artistas com milhões de execuções no Spotify não têm nenhum registro fora da plataforma - Foto: Reprodução

Desde 2016, veículos de imprensa no exterior têm observado que artistas que aparecem em playlists criadas pelo Spotify não existem fora da plataforma de streaming.

Ao perceber isso, sites como o Music Business Worldwide passaram a sugerir que a empresa estaria criando artistas falsos para lucrar em cima da relevante quantidade de execuções que uma de suas listas temáticas proporciona.

O Spotify, no entanto, nega que esteja envolvido em um esquema de criação de artistas falsos. Em nota oficial ao jornal britânico The Independent, a plataforma diz que não age como gravadora e que o repasse de direitos é realizado para o responsável pelo fonograma. "Não remuneramos nós mesmo", garante.

Mark Mulligan, um dos especialistas em mercado que notou a inexistência desses artistas fora do Spotify, disse à BBC que a empresa pode estar comissionando terceiros para produzir esse tipo de conteúdo. Em troca, eles pagariam royalties menores para os autores. "Pode ser uma maneira criativa sobre como o Spotify está tentando não pagar por toda a música que toca", comenta Mulligan.

Essa seria uma alternativa para finalmente começar a obter lucro. Apesar de existir há dez anos e ser o líder em plataforma de streamings, o Spotify ainda é deficitário.

A maioria desses artistas inexistentes está em playlists seguidas por milhões de pessoas, como Ambient Chill, Peaceful Piano, Piano in the Background, Deep Focus, Sleep e Music for Concentration.

Fora do Spotify, no entanto, nomes como The 2 Inversions, com 10 milhões de execuções por lá, não têm nenhum registro na internet. Não há página oficial no Facebook ou no Twitter, nem canal no YouTube. Um hitmaker que muita gente ouviu, mas que não existe.

Os 50 principais artistas que seguem essa característica no Spotify somam nada menos que 500 milhões de streamings na plataforma. Isso geraria um pagamento de cerca de R$ 10 milhões em direitos autorais nos Estados Unidos.

Além de música autoral que seria feita disfarçadamente pelo Spotify, uma prática na plataforma é também incluir covers de músicas famosas nessas playlists.

Segundo o Music Business Worldwide, nesse caso, os artistas fakes concordariam com margens "insanamente baixas" para criar a versão do hit, o que seria inegociável com uma banda de verdade.

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