MÚsica Gospel

POR ELVIS TAVARES
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"Sodoma e Gomorra perderam para o Brasil", diz Nani Azevedo em entrevista

Publicado em 30-05-2017

Texto: Redação Efrata Music

Tags: meio evangélico  

Para Nani Azevedo, a Igreja é a maior culpada da crise institucional vivida pelo Brasil
Para Nani Azevedo, a Igreja é a maior culpada da crise institucional vivida pelo Brasil

Quem acompanha Nani Azevedo nas redes sociais sabe que seus comentários não se restringem à música, abrangendo também temas "espinhosos" como política e religião. Esse lado engajado do cantor e compositor paulistano veio novamente à tona em entrevista ao programa de rádio Onde os Fracos Têm Vez (OFTV), no último sábado (27/05).

A relação entre os escândalos atuais na política brasileira, a Igreja e os evangélicos deu a tônica de boa parte da conversa com o apresentador Elvis Tavares.

Para Nani - que recentemente, no Twitter, chamou os políticos brasileiros de "sujos" e disse que "em Brasília, só resolve se tirar 95% e renovar" -, a Igreja é a maior culpada da crise institucional vivida no país.

"Não é uma Igreja que tenha unidade, cada um está preocupado com seu próprio umbigo. É um querendo pegar membro do outro, uma competição. A Igreja está preocupada apenas em fazer reuniões. Ninguém tem visão própria", disparou o músico, que ainda comparou o Brasil a Sodoma e Gomorra.

"Se fosse na época da lei, de Moisés, Deus abria o chão e engolia o Congresso inteiro. Ou então mandava fogo do céu e enxofre e queimava tudo, porque Sodoma e Gomorra já perderam para o Brasil há muito tempo. Ia engolir todo mundo: Gilmar Mendes, Lewandowski, Temer. Lula não estaria vivo há muito tempo. Mas nós temos a bendita graça de Jesus. A única saída é a Igreja se levantar em unidade e investir no Reino", afirmou.

Embora peça renovação do Congresso Nacional, Nani não defende, necessariamente, que os representantes do povo sejam cristãos.

"Como brasileiro, não tenho muita esperança de melhora. E não adianta falar em eleger um evangélico. A Bíblia não fala de evangélico, fala de justo. 'Quando o justo governa, o povo se alegra' [Provérbios 29:2]. Justiça não faz parte de religião, faz parte do caráter. Que Deus tenha misericórdia da nossa nação", lamentou.

Ao comentar os 500 anos da Reforma Protestante, completados em 2017, Nani propôs uma reflexão sobre a atuação da Igreja hoje.

"Martinho Lutero não ensinou vender a fé, não ensinou vender milagres e não ensinou a tática do 'toma lá, dá cá'. Creio que o protestantismo terá que rever algumas coisas. O apóstolo Paulo deve estar sacudindo no túmulo querendo voltar para ensinar tudo de novo. E Deus - vou usar palavras minhas, não está na Bíblia -, lá no céu, vai chamar toda a liderança do mundo, principalmente do Brasil, e dizer: 'Não era nada disso para vocês fazerem. Era só para falar que meu filho morreu, ressuscitou, é o único caminho, a verdade e a vida, que liberta e transforma.Vocês inventaram demais. Eu deixei um Evangelho simples e vocês complicaram tudo."

Críticas também ao meio gospel

O tom crítico da entrevista se estendeu ao meio gospel. Nani condenou a enxurrada de novos cantores evangélicos, muitos deles, segundo o músico, caídos "de paraquedas" no mercado.

"Quem não tem história, não tem o que contar. Claro que há espaço para todo mundo, e toda pessoa que tem talento, um chamado, tem o direito de fazer sucesso. O que preocupa é a qualidade. É muita cópia. Não se cria mais nada, tudo se copia. Virou um negócio, um fermento que apenas incha, mas às vezes não cresce nem acresce nada", comparou.

Nani citou seu primeiro álbum, Bendito serei - lançado em 2007, com grande sucesso, pela gravadora Central Gospel Music - como exemplo para fugir da mesmice.

"Bendito serei surgiu numa época em que só se cantava sobre 'chuva', 'vento', 'vem, vem, vem...', 'abra os olhos' etc. Veio com a Palavra de Deus cantada, algo que ninguém esperava. Aí houve um divisor na música naquela época", avaliou.

No programa, Nani - redução de Ananias - também falou, entre outros assuntos, sobre o início da carreira, como ganhou o apelido e a vida como policial militar em São Paulo, antes de enveredar pela música.

Confira abaixo a íntegra da entrevista do cantor ao OFTV.

Elvis Tavares é advogado, pós-graduado em Propriedade Intelectual pela PUC/RJ, cantor, compositor, produtor, escritor, radialista e manager da Efrata Music

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