MÚsica Gospel

POR ELVIS TAVARES
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Conjunto Som Maior pode se reagrupar, diz ex-vocalista Cristina Audi

Publicado em 24-01-2017

Texto: Redação Efrata Music

Tags: grupos e cantores(as)  história da música gospel  

Cristina Audi em foto de 2010: a cantora lamentou que uma coletânea do Som Maior lançada pela Line Records não trouxesse seus créditos em uma faixa - Foto: Acervo pessoal/Cristina Audi
Cristina Audi em foto de 2010: a cantora lamentou que uma coletânea do Som Maior lançada pela Line Records não trouxesse seus créditos em uma faixa - Foto: Acervo pessoal/Cristina Audi

Muito popular nos anos 1970 e 1980, o Conjunto Som Maior, desfeito na década de 1990, poderá voltar à ativa. A hipótese foi levantada por Cristina Audi, ex-vocalista, compositora e instrumentista do grupo, em entrevista ao programa Onde os Fracos Têm Vez (OFTV), da rádio Sara Brasil FM, de Florianópolis (SC), no último sábado (21/01).

Perguntada pelo apresentador Elvis Tavares por que os discos do Som Maior, até mesmo os que já têm versão em CD, são difíceis de encontrar à venda, a cantora comentou os últimos lançamentos do grupo - alguns álbuns reeditados pelo cantor Tony Sabetta, com playback, e uma coletânea da Line Records, na série Seleção de Ouro.

Enquanto a primeira iniciativa foi elogiada ("achei ótimo, nem eu tinha", afirmou), a segunda foi repreendida.

"Achei um pouco fraca a produção", disse Cristina, que, na coletânea, teve uma de suas composições, a faixa O que farás, creditada como "autor desconhecido". "Mas para nós foi bom, porque pudemos ajudar outras pessoas, plantando a semente que Deus tinha daquele ministério e que continua até hoje. Nós temos planos, e esses planos estão nas mãos de Deus. É o melhor lugar onde a gente poderia deixar. Vamos orando, porque eu acho que o Som Maior vai se reagrupar. Deus sabe", acrescentou.

Cristina contou que descobriu a compilação da Line Records por acaso.

"Eu tinha chegado de viagem, e sempre dou um pulo lá na Conde de Sarzedas [rua de São Paulo conhecida pelo extenso comércio de artigos evangélicos] para olhar partituras, essas coisas. E me deparei com uma loja com uma pilha enorme de CDs, a coletânea. Claro, eu comprei. Gosto muito de olhar a ficha técnica, acho legal saber quem fez, quem contribuiu no trabalho. De repente, me deparo com O que farás, com letra e música desta que vos fala (risos). Eu escrevi quando tinha uns 18 anos", lembrou, trocando as gargalhadas pela emoção de recordar a letra da música, fruto de uma experiência pessoal com Deus.

O que aconteceu em seguida?

"Nada", respondeu Cristina. "Entrei em contato, reclamei, falaram que entrariam em contato comigo, e nunca mais. Com essa história toda, eu aprendi. Fui para a biblioteca municipal e registrei O que farás. Tenho o certificado na parede para sempre lembrar daquela história (risos). Espero que sirva de incentivo para quem escreve música saber bem o que fazer."

O primeiro contato do Som Maior com uma gravadora - a Favoritos Evangélicos, que lançou o álbum de estreia do grupo, Brilho celeste, em 1977 - também não foi dos mais frutíferos.

"Tínhamos um contrato verbal. Nenhum de nós, cantores ou músicos, assinou algum contrato referente a gravações. Na verdade, depois de todas aquelas horas de estúdio e mixagem, o que a gente ganhava, mesmo fazendo apresentações, era um LP cada um", relatou Cristina.

Coragem e pioneirismo

Mas nem tudo foram percalços na biografia do Conjunto Som Maior. Muito pelo contrário. Criado em 1976 por Roger Cole, pastor de origem americana e diretor do Departamento de Música da Convenção Batista do Estado de São Paulo, o grupo teve intensa discografia até o final daquela década e início dos anos 1980, com praticamente um álbum por ano.

O "conjunto" (na época não se usava a palavra "banda") misturava os mais diversos ritmos, do jazz à bossa nova, passando pelo negro spiritual. Uma sonoridade que conquistou não só os evangélicos. Em 2011, o cantor Ed Motta declarou que estava à procura de antigos álbuns dos grupos Som Maior, Vencedores por Cristo (VPC) e Logos - não por acaso, três dos principais expoentes da chamada "Música Popular Brasileira Evangélica".

Nos álbuns do Som Maior, especialmente nos primeiros, era muito frequente o uso de versões. Uma das mais bem-sucedidas foi Jesus Cristo mudou meu viver (What a difference you made in my life), cuja letra em português estreou em gravação do grupo - posteriormente, a música foi regravada por diversos nomes do gospel nacional. Já Seu plano meu (His way mine) trazia apenas um novo título para Deus tem um plano, registrada em disco por Feliciano Amaral, Josely Scarabelli e Victorino Silva.

Vale citar ainda a interpretação do grupo para Tu és fiel, Senhor (Great is thy faithfulness), considerada por Elvis Tavares, em texto publicado no site da Efrata Music, uma das melhores feitas no Brasil.

Para o Som Maior, as versões eram um modo de se diferenciar da maior parte da produção musical da época.

"Tinha corinhos, cantatas, hinos... Não havia muita diversificação nas músicas. O Som Maior resolveu ir numa outra direção", explicou Cristina no OFTV, lembrando a união dos músicos naquele difícil começo. "Alguns membros saíram direto do coral jovem. Muitos de nós trabalhávamos ou estudávamos, e muitos, não. Então, quando a gente se unia, ia viajar, os que tinham [condição financeira] ajudavam os que não tinham. Mesmo para comprar lanches, era uma união, uma família muito grande, muito bonita."

O pioneirismo do Som Maior foi além das versões. Mesmo em tempos mais ortodoxos da Igreja, em que bateria não podia nem entrar nos templos, o grupo inovou ao usar instrumentos de percussão na música Desce às águas, remetendo a sons tribais. O resultado pode não ter agradado os "legalistas" da época, mas a gravação gerou uma história hilária contada por Cristina no programa.

Outras músicas do repertório do Som Maior, como Breve Cristo vem e Galhos secos, mais famosa canção do grupo, foram tocadas por Elvis Tavares e comentadas por Cristina Audi.

Clique aqui para ouvir a íntegra do especial no site da Efrata Music ou aqui para acompanhar no YouTube. O programa Onde os Fracos Têm Vez vai ao ar todos os sábados, às 8h, misturando histórias e curiosidades musicais com canções de ontem e hoje que não são ouvidas frequentemente nas rádios. Clique aqui para ouvir ao vivo a Sara Brasil FM.

 

Ouça a entrevista de Cristina Audi a Elvis Tavares no OFTV:

Elvis Tavares é advogado, pós-graduado em Propriedade Intelectual pela PUC/RJ, cantor, compositor, produtor, escritor, radialista e manager da Efrata Music

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