MÚsica Gospel

POR ELVIS TAVARES
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A pirataria branca enfraqueceu o direito autoral, diz Alex Gonzaga, vocalista do Novo Som

Publicado em 16-01-2017

Texto: Redação Efrata Music

Tags: direitos autorais  história da música gospel  cantores(as) e bandas  

As novas tecnologias na música, com o advento do streaming e das plataformas digitais, debilitaram os ganhos de autores, intérpretes e instrumentistas com direitos autorais oriundos das vendagens de discos. Essa é a opinião de Alex Gonzaga, vocalista da banda Novo Som, formada também pelo tecladista Mito e pelo baterista Geraldo Abdo. O trio foi entrevistado no último sábado (14/01) por Elvis Tavares no programa Onde os Fracos Têm Vez, da rádio Sara Brasil FM, de Florianópolis (SC).

Para Alex, downloads ilegais ou sem a devida remuneração aos compositores e executores da música - prática que ele chamou de "pirataria branca" - são mais prejudiciais aos músicos do que a pirataria tradicional, ou "negra", em que cópias desautorizadas de CDs e DVDs são vendidas nas ruas.

"A pessoa, às vezes até inocentemente, puxa uma música nova de um site que a libera sem uma monetização disso, e acaba que essa pessoa fica com o pen-drive ou com a memória do celular cheios de músicas. E a gente [os músicos] acaba não ganhando nada. O que a gente ganhava de vendagens do [produto] físico, no digital, não ganha. Isso [a execução e a vendagem de músicas online] é muito flutuante, tá muito no ar. Não existe uma monetização bacana nisso, não", avaliou o cantor.

Para Mito, os músicos evangélicos devem se informar sobre direitos autorais. Filho do pastor e compositor Nelson Monteiro da Motta, autor de Segura na mão de Deus - canção que extrapolou as barreiras da música evangélica -, o tecladista resumiu a experiência de seu pai com o tema.

"Depois que ele editou a música, a editora correu atrás de seus direitos. Mas ele já tinha sido muito lesado no passado, pela inexperiência. Depois meu pai estudou Direito, virou advogado, foi pós-graduado, aí passou a entender como funciona o direito autoral", disse. "Quero que todo compositor, todo músico, estude o assunto, pra não ser lesado depois", acrescentou.

Nome da banda refletiu mudanças na sociedade

A entrevista também repassou a trajetória do Novo Som, formado no início dos anos 1980 por membros da Primeira Igreja Batista de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O nome da banda, sugerido por Alex Gonzaga, foi inspirado na passagem de Salmos 96 que diz "cantai ao Senhor um cântico novo". Mas também serviu para refletir uma época de mudanças culturais, também entre os evangélicos.

"A juventude queria um pouco mais do que piano, órgão e coral na música da igreja", observou o vocalista.

O primeiro álbum da banda, então chamada "conjunto", foi o LP Um novo som para Cristo, lançado em 1988 pela Favoritos Evangélicos, uma das principais gravadoras do meio gospel na época. Mas, apesar da estreia numa grande companhia fonográfica, já no segundo trabalho, Pra você, de 1990, o Novo Som decidiu apostar em um selo próprio, NS Produções.

Alex Gonzaga, hoje o único remanescente da formação original, foi o patrocinador da empreitada.

"Ninguém quis investir na época, talvez até porque [os demais integrantes] não pudessem. Eu tinha um carro e o coloquei na jogada. Vendi e investi no projeto", contou.

Mito lembrou o caso de uma música que a banda chegou a gravar, mas depois teve que tirar de seu repertório.

"Um músico que trabalhava com a gente era recém-convertido, tinha vindo do espiritismo. Ele, na melhor das intenções, pegou uma letra e nos mandou. Era uma música bonita. Só que um rapaz da Bahia, que tinha sido espírita, reconheceu que aquela letra era da Prece de Cáritas, com algumas modificações. Como eu sou filho de pastor, criado na igreja, e a maioria do pessoal da banda também, a gente não tinha noção. Hoje a gente pega as letras, estuda e verifica a procedência, para isso não acontecer mais", relatou.

Geraldo Abdo, por sua vez, recordou como entrou para o Novo Som, depois de ter surgido no meio gospel como baterista do Conjunto Sonoros, com o qual gravou um álbum quando tinha apenas 14 anos de idade, em 1984.

"Era o LP E continua, que tem as músicas Terra prometida, Alfa e ômega e a versão instrumental de Autor da minha fé, que tocam até hoje em muitas rádios pelo Brasil. Depois que saí do Sonoros, fiquei um ano num grupo do Rio de Janeiro chamado Liberdade. Em um evento na cidade, o Novo Som também participou. Foi quando eu tive meu primeiro contato com a banda. A partir disso, as coisas foram acontecendo normalmente, até que um dia fui convidado para fazer um teste com eles e fui aprovado, pela graça de Deus", comentou.

O programa também abordou a saída de Lenilton, primeiro baixista e autor de muitos sucessos do Novo Som; as comparações com o grupo Roupa Nova; o pioneirismo no gospel romântico, a partir do estouro da música Pra você (faixa do álbum Passaporte), em 1992; e o contato com Ed Wilson, autor, com Elvis Tavares, de O jovem rico, primeira canção sobre uma passagem bíblica gravada pela banda (em 2004, no álbum Vale a pena sonhar).

Além dessas duas músicas, foram tocados outros sucessos de várias fases do Novo Som, como Deste sentido ao meu viver, Herói dos heróis, Vale a pena sonhar!, Escrevi e Acredita.

Clique aqui para ouvir a íntegra do especial no site da Efrata Music ou aqui para acompanhar no YouTube. O programa Onde os Fracos Têm Vez vai ao ar todos os sábados, às 8h, misturando histórias e curiosidades musicais com canções de ontem e hoje que não são ouvidas frequentemente nas rádios. Clique aqui para ouvir ao vivo a Sara Brasil FM.

Elvis Tavares é advogado, pós-graduado em Propriedade Intelectual pela PUC/RJ, cantor, compositor, produtor, escritor, radialista e manager da Efrata Music

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